          Resumo do Livro:
  Seja Lder de Si Mesmo - O Maior
       Desafio do Ser Humano
         Autor: Augusto Cury

Compilao: Lus Felipe Corga Moreira




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A ltima Fronteira da Cincia...
Descobrir Quem Somos:

Quem discrimina os outros diminui, quem
supervaloriza os outros diminui a si mesmo.




      A vida humana  belssima, mas
brevssima. Cada um de ns vive num
pequeno parntes de tempo. Envolvemo-
nos em tantas atividades sociais que no
percebemos o mistrio que cerca a
existncia.

      Por ser to breve a vida, deveramos
viv-la com sabedoria para sermos cada
vez mais pais, educadores e profissionais
inteligentes, jovens mais sbios, amigos
mais afetivos. Muitos vivem apenas
porque esto vivos. Vivem sem objetivos,
sem metas, sem ideais, sem sonhos. No
sabem como lidar com sua fragilidade e
lgrimas. Sabem lidar com os aplausos,
mas desesperam-se diante das vaias.
Recebem diplomas na escola, mas no
sabem ousar, criar, correr riscos calculados
e cultivar o que amam. Voc j procurou

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esquecer tudo ao seu redor e olhar para
dentro de si? Eu estudo a mente humana
h anos, e cada vez mais sinto que a
cincia sabe muito pouco sobre quem
somos. Ter capacidade de pensar e se
emocionar so fenmenos difceis de
entender. A ltima fronteira da cincia 
saber quem somos.  desvendar a
natureza da energia psquica e os segredos
da nossa inteligncia. Nossa espcie tem
conscincia da grandeza da inteligncia de
cada ser humano? Pouqussima! Que
sociedade  essa em que alguns so
supervalorizados e a maioria  relegada ao
rol dos annimos? Muitos podem no ter
fama e status social, mas para a cincia
todos somos igualmente complexos e
dignos.

      Afinal de contas, todos somos
grandes artistas no teatro da vida. Toda
vez que confecciona uma idia voc  um
grande artista. A Rainha da Inglaterra no
tem mais valor e nem mais complexidade
intelectual do que um mendigo nas ruas
de uma cidade; parea ou no absurda,
esta  uma verdade cientifica. Um cientista
da Nasa no tem mais segredos psquicos

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do que um miservel faminto do 3
mundo. Respeitar e tomar algumas
pessoas como modelo  saudvel.
Superdimension-las  doentio, bloqueia
nossa inteligncia e liberdade. Cada ser
humano tem uma histria magnfica, uma
mente fantstica e um potencial intelectual
grandioso, mas frequentemente represado.
Podemos e devemos ser autores da nossa
histria.

      A teoria de Darwin explica alguns
fenmenos biolgicos, mas  simplista
para explicar o campo da energia psquica.
Ela  superficial para explicar a formao
da conscincia e de como os pensamentos
se organizam, vivem o caos e se
reorganizam. Pensar no  uma opo do
Homo Sapiens, pensar  inevitvel. O
maior desafio do ser humano e dominar
seu mundo intelectual. A complexidade da
mente humana revela que ela  obra-prima
de um Criador fascinante.

     E a emoo? Quem pode entend-la
ou control-la plenamente? H muitos
miserveis no territrio da emoo
andando em carros luxuosos, usando jias

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caras, roupas de marca e saindo nas
colunas sociais. Os verdadeiramente ricos
fazem muito do pouco, extraem prazer das
coisas simples. Os ricos no so os que tm
posses, mas os que alargam as fronteiras
da sua emoo e tm autocontrole. Mas 
possvel ter pleno autocontrole?

      No! Nenhum ser humano domina
plenamente sua emoo. Desista de ser
uma pessoa completamente equilibrada. A
energia emocional  sempre flutuante, mas
no deve haver exagero. Uma emoo
doente        instvel,   mal-humorada,
negativista,    desprotegida,     ansiosa.
Qualquer problema a invade, fere. Uma
emoo saudvel  estvel, motivada,
protegida, alegre, tranqila e capaz de
superar os inevitveis perodos de
ansiedade. Seu maior desafio  cuidar e
liderar seu prprio ser. O territrio dos
pensamentos e da sua emoo  seu
tesouro. se quiserem viver dias felizes,
cuide dele mais do que de seus bens.




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No Fomos Treinados Para Sermos
Lderes de Ns Mesmos:

Ningum pode brilhar no palco do mundo se
no brilhar no palco da sua inteligncia.




       Cada ser humano possui uma grande
histria. Nessa histria ele deve ser o ator
principal e o autor do roteiro de sua vida.
A 1 grande lio para quem deseja ser
lder  aprender a ser humilde para
entender a grandeza da vida. Apesar de a
mente humana ser de indescritvel
esplendor, ela adquire conflitos com
facilidade: complexo de inferioridade,
timidez, fobias, depresso, insegurana,
preocupao excessiva com o futuro e com
a imagem social, etc. Ser ator principal no
palco da vida no significa no falhar, no
chorar, deixar de tropear... Ser ator
principal significa refazer caminhos,
reconhecer erros e aprender a deixar de ser
aprisionado pelos pensamentos e emoes
doentias. Os agressivos, os intolerantes e
os arrogantes so os mais frgeis no teatro
da vida. Eles tm medo de subir no palco,

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perdoar os outros, se perdoar, chorar,
reconhecer suas falhas e limitaes. So
infelizes. Ningum se constri sozinho.
Somos construdos e construtores da nossa
personalidade. Somos construdos pela
carga gentica, pelo sistema social, pelo
ambiente educacional e pela atuao do
eu. O eu representa nossa identidade e
capacidade de decidir. Ser autor da nossa
histria  ter um eu consciente, livre e
lder. O eu tem de ser treinado para ter um
papel de lder na construo da nossa
personalidade. Se no aprendermos a ser
lderes, o que ocorrer? Poderemos ser
vtimas do ambiente, dos nossos conflitos e
da carga gentica. Felizmente podemos ser
autores da nossa histria, mudar o curso
das nossas vidas. Por isso, veremos aqui
que podemos resgatar a liderana do eu,
reeditar o filme do inconsciente e construir
janelas paralelas na memria. Podemos
superar as feridas psquicas e construir
uma histria inteligente.  fcil dirigir
nossa histria? No!  mais fcil ser
controlado por nossa emoo do que
control-la, proteg-la, expandi-la. Muitos
jovens fracassam porque no sabem dar
um choque de lucidez na sua emoo.

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Muitos adultos bloqueiam seu potencial
intelectual porque so aprisionados pelos
pensamentos construdos sem autorizao
do eu.

     Muitos     pensamentos      que    o
perturbam    foram     produzidos     por
fenmenos inconscientes, e no por sua
vontade consciente. O que fazer com esses
pensamentos? Eis a Grande Questo!

       incrvel como somos passivos.
Crianas, jovens e adultos vivem seus
pensamentos sem saber que podem critic-
los e confront-los. Aceitam seus
pensamentos, deixando preocupaes,
baixa auto-estima, doenas e medos
sufocarem sua emoo, e simplesmente
no fazem nada. A educao mundial
falhou gravemente, fomos treinados para
atuar no mundo exterior e no no interior.
Para ilustrar nossa fragilidade nessa rea
contarei uma histria. Imagine que voc
est tranqilo na sala de sua casa e
subitamente aparece um ladro enorme,
musculoso e com uma aparncia violenta,
e arromba a porta. Voc se assusta e se
desespera. O ladro vai em sua direo, o

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ameaa e o espanca. Grita aos seus
ouvidos querendo saber onde est o cofre.
Voc comea a sangrar, cai no cho e fica
debaixo da mesa. Ele comea a chut-lo.
Mas de repente voc faz uma grande
descoberta. Descobre que a arma dele 
falsa, que seus msculos enormes so
enchimentos de espuma e seu corpo 
franzino comparado ao seu. O que voc
faria? Ficaria debaixo da mesa? Deixaria
que ele o ferisse impiedosamente?
Permitiria que roubasse o que voc tem de
mais precioso? A maioria das pessoas
reagiria se o ladro fosse real, mas no
reage quando o ladro  psquico. Deixe-
me explicar: - Todos reagiriam se o ladro
fosse externo, estivesse fora deles. Mas
quantos reagiriam se o ladro fosse
interno, estivesse na sua mente, tal como
seus pensamentos negativos, pnico,
culpa,    timidez,   angstias,   relaes
impulsivas?

      A maioria no reage ao ver sua
preciosa tranqilidade e segurana
espancadas, roubadas, machucadas. Tem
um eu tmido e frgil. Infelizmente
aprendemos a ser submissos em nossa

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mente. Milhes de crianas e adultos
adoecem psiquicamente por causa disso.
Se os ensinamentos deste livro estivessem
presentes na pauta das escolas, creio que
muitos psiquiatras iriam tornar-se poetas e
msicos. No teriam pacientes. Voc se
considera uma pessoa submissa ou um
lder?

     Jamais deveramos ser submissos
diante dos entulhos psquicos que se
acumulam no solo psquico. Jamais
deveramos aceitar sermos dominados por
qualquer caracterstica de personalidade
que afeta nossa qualidade de vida e destri
tudo que amamos. Precisamos reagir!

       paradoxal, o ser humano tem
tecnologia para destruir montanhas, mas
tropea nas pedras do seu medo e mau
humor.

     Devemos respeitar as pessoas mais
velhas, as regras sociais e os direitos
humanos. Mas no devemos respeitar os
pensamentos e as emoes que assaltam
nossa personalidade.


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       Voc tem o direito de ser o autor da
sua prpria histria. Voc deve equipar
seu eu para ser o ator principal do teatro
da sua mente. Caso contrrio, como
veremos, as perdas e frustraes que o
dominam no iro embora depois de
sarem de cena. Para onde iro? Iro para o
inconsciente, para os bastidores do teatro,
e faro parte da sua personalidade. Muitos
pais e professores deixam de brilhar
porque, pouco a pouco, se tornam
submissos  sua prpria impacincia, no
aprendem a ter autocontrole para encantar
e surpreender os jovens. Muitos jovens so
submissos  sua insatisfao. No
suportam crticas e perdas. Precisam ser
treinados para ter proteo emocional,
virar a mesa na sua mente e escrever sua
prpria histria. Este livro objetiva
contribuir para esse treinamento. E os
profissionais graduados? Eles tm um
comportamento diferente no anfiteatro dos
seus pensamentos? Os empregados mais
simples e os executivos dos mais altos
nveis tm dificuldades semelhantes para
ser lderes do seu mundo psquico. Foram
treinados para trabalhar exteriormente,
mas no para ter um papel de destaque em

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seu interior. O que fazer quando estamos
perdendo o que mais amamos? Alguns
ficam paralisados, outros recuam. O que
voc faria? Reconquistaria quem mais
ama? Lutaria pelos seus ideais? Romperia
o crcere do medo? Correria riscos ou
ficaria na platia esperando um milagre?
Insisto em repetir: somos treinados para
sermos espectadores, e no atores
principais. Mas se reagirmos, a vida se
tornar um espetculo maravilhoso. Para
ilustrar melhor esse assunto crucial.
Contarei uma histria em que voc  o
personagem central. Por favor, identifique-
se apenas com as caractersticas que voc
possui. O personagem que descrevo
poderia ser eu ou qualquer outra pessoa.




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Penetrando na Mente Humana:

Figura do Teatro - Ningum pode conquistar o
mundo de fora se no aprender a conquistar o
mundo de dentro...




      Certa     vez,     voc    passeava
tranquilamente pelas avenidas da vida. De
repente, resolveu entrar num teatro. Ficou
fascinado com sua beleza e arquitetura. O
pblico, pouco a pouco, o lotou. Todos
estavam ansiosos para ver a pea. Voc
tambm, mas no sabia quem a escrevera,
qual era o seu contedo e nem quem eram
os atores. No imaginava que algo
excepcional o aguardava. Voc iria assistir
 pea mais importante da sua vida. Seus
olhos ficariam vidrados. Sua inteligncia,
perplexa. Nunca um teatro tinha
escondido tantos segredos!

      De repente, as cortinas se abriram,
seu corao palpitou. Os atores eram de
primeiro time. A pea logo de inicio o
cativou. O ator principal representava a
biografia de um personagem magnfico.

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Era inteligente, sutil, fino, corajoso. Voc
se encantou com o personagem e com o
desempenho do ator principal. A pea
continuou. O personagem tornou-se mais
atraente. Mostrava gentileza com as
crianas, amabilidade com os idosos e
sensibilidade      com        os     amigos.
Contemplava flores, tinha tempo para as
pequenas coisas. Elogiava as pessoas,
brincava com todos, sorria at das prprias
tolices. O pblico delirava com o
personagem. Voc suspirava, identificava-
se com ele. Queria aplaudi-lo, mas se
continha. Aos poucos, reas mais
profundas da biografia dele eram
reveladas. Perdoava as pessoas, as
encorajava e lhes dava sempre novas
oportunidades. Mais ainda. Era capaz de
se colocar no lugar dos outros e perceber
seus sentimentos e necessidades ocultos.
Os amigos amavam estar na sua presena,
os parentes gostavam de coloc-lo no
centro das atenes. Ao mesmo tempo que
era afetivo e sensvel, vivia a vida com
aventura, era ousado, tinha grandes metas
e grandes sonhos. Esse personagem era
tudo que voc sempre quis ser. Voc se
apaixonou por ele. Por isso, num golpe de

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coragem, ficou de p e o aplaudiu
calorosamente. Todos o acompanharam. O
teatro vibrou. O ator principal ficou
deslumbrado. De repente, uma surpresa.
Enquanto os aplausos cessavam, duas
pessoas entraram no palco, interrompendo
subitamente a pea. Desenrolaram uma
faixa na frente dos atores. Voc ficou
pasmado! A faixa revelava o nome do
personagem cuja biografia estava sendo
encenada.        Talvez         estivessem
homenageando uma pessoa importante do
passado,    voc    refletiu.    Mas     se
surpreendeu...

      Ao desenrolarem a faixa, voc quase
desmaiou na cadeira. Na faixa constava
seu nome! Assombrado, esfregou os olhos
e beliscou os braos para verificar se no
estava sonhando. "No  possvel!", voc
dizia. Nesse momento, o pblico inteiro se
levantou, o focalizou e o aplaudiu
prolongadamente. No palco, os atores
tambm o ovacionaram. Voc no sabia o
que fazer. Sua emoo estava arrebatada,
no conseguia reagir de tanta alegria.
Ento, descobriu que, quando se
apaixonara pelo personagem, voc se

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apaixonara por si mesmo. No sabia que
tinha uma auto-estima to borbulhante.
Voc chorou...

      Voc no tinha conscincia de que
era uma pessoa to atraente, animada,
cativante, segura, singela, serena, dcil e
interiormente bonita Ao ver a pea,
descobriu caractersticas belssimas de sua
personalidade. Voc ficava to bem no
palco. Parecia um grande artista. Passado
o xtase, voc ficou de p, deu largos
sorrisos para a platia e distribuiu muitos
acenos. De repente, outra grande surpresa.
Ao percorrer a platia com os olhos,
descobre que ela  constituda por pessoas
que passaram pela sua vida. Voc no
sabia se ria ou se chorava. Jamais pensou
que viveria uma emoo to grande.

       L estavam seus amigos de infncia.
Que saudades! Quantas brincadeiras.
Como a vida era suave e bela. Voc
marcou a vida deles, por isso eles estavam
l o prestigiando e torcendo por voc. Mas
infelizmente voc raramente os visitou ou
deu um telefonema para eles. Na platia
tambm estavam os queridos professores.

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Alguns ensinaram voc a pegar no lpis,
outros a entender os nmeros e ainda
outros a no temer a vida. Seus colegas de
trabalho mais ntimos tambm estavam l.
E voc pensava que eles no se
importavam com voc. Por isso, no
entrava no mundo deles e desconhecia
suas dificuldades. Os amigos recentes
tambm estavam presentes. Sentiam
orgulho de voc. Para eles, voc reluzia no
palco e de fato merecia ser aplaudido. L
se encontravam ainda todos os membros
da sua famlia, dos mais ntimos aos mais
distantes. Todos acreditavam em voc, o
amavam profundamente. Voc nunca
imaginou que era to especial e querido.
Sentiu-se a pessoa mais realizada e
importante do mundo. Sentiu que era
valorizado como ser humano, e no por
seu dinheiro ou sucesso. Ento voc
abaixou a cabea e agradeceu a todos. O
palco era seu. O teatro se tornou sua casa.
Neste momento, algum lhe passou um
microfone. Todos silenciaram. Esperavam
suas palavras. Emocionado e sincero, voc
disse que no entendia o que estava
acontecendo, tudo parecia um sonho
maravilhoso. Agradeceu a homenagem e

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disse humildemente que no merecia tanto
carinho. Mais aplausos, mais lgrimas.
Voc agradeceu aos atores. Fixou os olhos
no ator principal, sentiu que tinha algo em
comum com ele. Disse-lhe: "Muito
obrigado, voc  demais!". E falou para a
platia: "Constru amigos, enfrentei
derrotas, venci obstculos, bati na porta da
vida e disse-lhe: no tenho medo de viv-
la!".

      As pessoas admiraram suas palavras.
Voc finalizou seu breve discurso com
uma bela poesia: "Aprendi o caminho da
singeleza, encontrei a morada da
segurana, escalei os penhascos da
coragem e procurei beber da fonte onde
jorra a sensibilidade."

      As pessoas se convenceram de que
estavam diante de um sbio, um poeta da
vida. Ento, voc olhou para o infinito e
falou algo para si mesmo: "A vida  um
grande espetculo. Vale a pena viv-la,
apesar de todas as suas dificuldades. Um
vencedor no pode estar na platia. Tem
de estar no controle de sua vida!".
    Espere! A pea ainda no terminou.

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O Outro Lado da Histria:

Muitos, nos momentos mais difceis da sua
vida, descem do palco e se tornam espectadores
das suas misrias emocionais.




       Aps esses momentos de indizvel
felicidade, voc sentou na poltrona e
relaxou. Ia comear a segunda parte da sua
histria. Esperava que voc e a platia
ainda assistissem a seus comportamentos
maravilhosos, sua magnfica inteligncia,
suas romnticas emoes. No incio da
apresentao, algo inesperado aconteceu.
O ator principal abandonou o palco, veio
para a platia e sentou-se ao seu lado.
Voc apertou suas mos e sentiu-se
honrado. O teatro estava  meia-luz. Ao
olhar para o ator, voc piscou os olhos
tentando enxerg-lo melhor, pois sentia
que ele lembrava algum conhecido.

      Voc se esqueceu que qualquer
histria, tanto a minha quanto a sua, tem
vales e montanhas, coragem e timidez,
conquistas e decepes, sanidade e

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loucura. Voc comeou agora a ver o outro
lado da sua personalidade.  timo ouvir
os aplausos, mas  dramtico ouvir as
vaias. Os atores coadjuvantes e at os
figurantes     dominaram        o     palco.
Comearam a representar um personagem
intolerante, que ficava irritado por tolices,
perdia a pacincia com facilidade. Voc
olhou de lado, deu uma risada forada e
fez um gesto com as mos abertas pedindo
compreenso. Afinal de contas, todo
mundo erra.

      A pea continuou, e voc comeou a
suar. Na primeira parte seu personagem
era to tranqilo e sereno, na segunda
levantava a voz desnecessariamente.
Perdeu seu bom humor, machucava as
pessoas que mais amava. No dava mais
risadas das prprias tolices, no brincada,
no elogiava as pessoas. Os atores
encenavam voc sendo capaz de sofrer
horas e horas por um problema que no
acontecera ou que voc mesmo criara. Um
ator coadjuvante teve a ousadia de pegar
uma grande lata, ir para o centro do palco
e escrever nela diante da platia: "SUA
EMOO  UMA LATA DE LIXO!"

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      Voc engoliu em seco. Remexeu-se
na poltrona. Queria protestar, mas sua
conscincia o acusava. Teve de admitir que
levava problemas para a cama. Sofria por
antecipao. Uma ofensa gerava um
turbilho de idias perturbadoras. Foi
obrigado a reconhecer que escolhia os
alimentos que digeria, mas no aqueles de
que sua emoo se nutria.

      Assumiu que se preocupava com a
segurana do carro, da casa, mas nunca
tinha feito um seguro emocional, nunca
tinha pensado que deveria proteger e
acariciar a sua prpria emoo. Voc se
punia, no admitia seus erros, se culpava,
reclamava muito, agradecia pouco. Era seu
prprio carrasco. As vaias comearam a
surgir. A platia, inconformada, gritava
para voc: "Onde est a pessoa apaixonada
pela prpria vida! Por que voc leva a vida
to a srio? Onde esto os seus sorrisos?".
Essas perguntas ecoavam na sua alma,
cortavam o seu corao. Sua vida deixou
de ser um sonho e tornou-se um pesadelo.
Voc afundou na cadeira, franziu a testa e
comeou a achar que esse teatro no era o
melhor lugar para estar. Mas o que fazer?

                                         21
Essa era a sua histria. Fugir do teatro era
fugir de si mesmo. Mas, em vez de assumir
seus erros, ficou irritado com o ator
principal: "Minha histria era to bela
quando ele estava no palco!".

      Os atores continuavam a dissecar sua
biografia. Mostravam que voc no tinha
mais tempo para os amigos, nem para si
mesmo, no convidava ningum para
jantar. Voc engolia sua comida, fazia tudo
rpido, tornara-se uma mquina de
atividades. J no cativava seus colegas de
trabalho. No amava mais os desafios, no
eram mais criativo, determinado, idealista.
Sua histria perdera o brilho. Vivia
ansioso, distrado, no se concentravam,
seus pensamentos estavam acelerados, e
ainda por cima reclamava que se sentia
sempre cansado e esquecido. No
acordava e agradecia a Deus pelo
espetculo da vida. Sua histria comeou a
ficar mais sombria. O medo comeou a
ganhar o palco: medo do amanh, de
falhar, de ser derrotado, de ter sua imagem
social diminuda. No conseguia ser livre,
se preocupava demais com a opinio dos
outros. A platia, pasmada, olhou para

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voc, esperando que reagisse. Algumas
pessoas mais prximas imploravam para
voc subir no palco e mudar o roteiro de
sua histria. Mas voc, inseguro, se
perguntava: Eu? Reagir? Entrar no palco?
Nunca fui um ator! Como farei isso?.
Nunca foi to difcil mudar sua histria.
Voc tinha sido bom para os outros, mas
no sabia cuidar com carinho de si mesmo.
Voc olhou para o ator principal e fez um
gesto para ele entrar no palco. Ele ficou
mudo. Ento, voc comeou a falar
baixinho: "Frgil! Inseguro! Vai para o
palco, assume seu papel! Tome uma
atitude!". Voc projetou nele sua raiva,
como se ele fosse culpado pelos seus
vexames, suas atitudes incoerentes, sua
falta de tolerncia. Olhou em torno
tentando procurar outros culpados.
Culpou seus ntimos, a incompreenso das
pessoas, a economia do pas. Mas, no
fundo, voc sabia que seus argumentos
eram desculpas. Voc sabia que se tornara
submisso s suas decepes e problemas
emocionais e sociais. Projetava nos outros
suas falhas. As vaias aumentaram. Numa
atitude desesperada, voc pensou em
criticar abertamente o ator principal para

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que ele tomasse uma atitude. Queria
gritar: "Esse ator  omisso, no me
defende, no me valoriza!". Entretanto,
quando olhou para a poltrona dele, ela
estava    vazia.  Intrigado, voc    se
perguntava: "Por que ele desapareceu?".
Sua solido expandiu-se.

       Eis outra surpresa. Subitamente voc
olhou para seu corpo e percebeu que
estava com os trajes do ator principal. "O
que     significa    isso?    Estou   numa
armadilha?". Mais perguntas, nenhuma
resposta. De repente, surgiu um grande
insight, uma percepo interior. Abriram-
se as janelas da sua inteligncia...

      Perplexo, voc descobriu afinal que
nunca existira um ator principal. Voc era
esse ator. Percebeu que na 1 parte da pea
voc tinha sido um personagem brilhante,
seguro, marcante, sensvel, lder de si
mesmo. Tinha sido um excelente autor da
sua histria, escrevera nas pginas da sua
memria a sua pea. Dirigira com maestria
a sua vida.

     Na    segunda    parte,   voc   tinha

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deixado o palco, se auto-abandonara,
tornara-se um espectador passivo. Ento,
entendeu que nesses momentos os atores
coadjuvantes, representados pelos seus
conflitos, traumas, pensamentos negativos
e emoes tensas, o controlaram e
dominaram. Infelizmente, voc deixou de
ser o ator principal nos momentos em que
mais precisava. Foi uma triste, mas
importante descoberta. Percebeu que toda
vez que estava ansioso, irritado, frustrado,
impaciente,      voc    no      conseguia
administrar sua emoo. Sua capacidade
de raciocinar ficava bloqueada, e por isso
voc ia para a platia. Comportava-se
como um espectador da sua vida, no a
dirigia. Compreendeu que isso acontece
com todo ser humano. Quando temos
reaes estpidas, impensadas e sem
compaixo, estamos sendo manipulados
pelas dificuldades externas e internas.
Reconheceu, assim, que os fracos culpam e
agridem, mas os fortes so tolerantes e
amveis.

     Voc tinha prometido a si mesmo
que seria mais tranqilo, no levaria
problemas para casa, teria mais sonhos,

                                          25
veria mais flores, abraaria mais, faria da
vida uma festa. Mas no cumpriu suas
promessas. Por isso, concluiu que no
podia culpar ningum por suas falhas.
Tinha de assumi-las com honestidade.

      Tambm concluiu que no adiantava
se remoer de culpa, tinha de compreender
as suas limitaes e aprender a corrigir
suas rotas. mas como fazer isto? Ser que
no  melhor ficar na platia do que falhar
no palco? Ser que vale a pena correr
riscos? Voc tinha adiado muitas decises
na sua vida. Chegara  hora de decidir!
Mas que atitudes tomarem?




                                         26
Entrar no Palco ou Ficar na Platia:

No teatro da nossa mente nossa meta  ser o
ator principal. Ficar na platia  abandonar a si
mesmo...




      Aps esses belos momentos de
reflexo, voc olhou para a platia e ficou
mais uma vez chocado. O teatro estava
vazio. Intrigado, voc se bombardeou de
perguntas: "Onde esto as pessoas que eu
amo? Todas me abandonaram no
momento em que mais preciso delas?".
Gostaria de abraar um amigo, chorar
junto, pedir seu apoio, mas as poltronas
esto vazias.

       Voc se desesperou, sentiu-se sem
cho. Mas em seguida teve outro insight
maravilhoso, outra percepo profunda.
Num piscar de olhos compreendeu o
quebra-cabea em que tinha se envolvido.
Enxergou, afinal, que no havia um teatro
fsico. O teatro em que estava era o
ambiente da sua prpria mente. As
pessoas nunca estiveram presentes

                                               27
fisicamente na platia. Elas estavam todas
na sua memria. Vieram  tona porque
v1oc fez um mergulho em seu
inconsciente, porque viajou pelas avenidas
do seu ser. Nessas viagens, conheceu seus
jardins e seus desertos. Viveu uma
fantstica experincia de se encontrar
consigo mesmo. Muitos nunca se
encontram. A pea teatral tornou-se o
espelho da sua histria. Sentiu que seu
maior desafio era liderar sua vida, mas
voc se auto-abandonava. Necessitava
modificar sua histria, mas sentia-se
impotente. Voc entendeu que empurrava
a vida. Percebeu que no fazia escolhas,
que adiava decises, no exercia seu livre-
arbtrio...

      Teria de resgatar sua garra, e voltar a
fazer da vida uma grande aventura. Teria
de implodir o tdio, a rotina, a mesmice.
Precisaria dar mais ateno aos seus
amigos, amar mais seus ntimos, ter novos
comeos. Precisaria elogiar mais e criticar
menos, agradecer mais e reclamar menos,
viver mais suavemente e cobrar menos das
pessoas. Deveria subir no palco tantas
vezes quantas fossem necessrias. Ao

                                           28
enxergar isso, mergulhou dentro de si,
olhou para todas as tentativas frustradas
de mudar sua vida e comeou a achar que
era quase impossvel vencer seu mau
humor, suas lamentaes, sua ansiedade,
impacincia,        irritabilidade.    Voc
aconselhou muitas pessoas a deixarem de
ser frgeis, a pararem de olhar para os
prprios ps, a levantarem a cabea,
fixarem os olhos no horizonte, mas agora
no conseguia ouvir sua prpria voz.
Tinha dito para a platia que batera na
porta da vida e proclamara que no tinha
medo de viv-la, mas agora se sentia
inseguro, paralisado. Essa histria revelou
que voc vivera a mais dramtica solido:
a de ter esquecido de si mesmo na sua
trajetria existencial. Cuidou de muitos,
mas no de si. Esqueceu-se de garimpar
ouro no solo das suas psiques, um lugar
onde o dinheiro no vale nada e a
sabedoria vale muito... Empobreceu,
tornou-se triste e ansioso. Chorou...

      Infelizmente, a histria que contei
representa uma parte da biografia de cada
um de ns. No ficamos atentos para
corrigir as pequenas mudanas que

                                         29
corroem nossa qualidade de vida. S
descobrimos nossas derrotas depois das
grandes perdas. Por fim descobrimos: Ser
espectador gerou um falso conforto.
Fomos controlados por nossos problemas.
Perdemos as coisas que mais amvamos,
inclusive dentro de ns. A vida deixou de
ser simples, gostosa, suave. O que fazer?
Precisamos resgatar o amor pela vida, o
amor mais excelente... "Voc  apaixonado
pela vida? O que voc faria se estivesse
nesse teatro?". Ficaria na platia? Entraria
no palco? Seria um figurante tentando
uma oportunidade para aparecer? Faria
um papel de importncia? Seria um ator
coadjuvante? Ou entraria no palco e
proclamaria: "Esta  a minha vida! Eu no
abro mo de ser o ator principal!".

      A humanidade gerou imensas
platias e poucos atores principais. Por
isso,    guerras    foram      deflagradas,
sofrimentos    perpetrados.     Precisamos
procurar responder a certas perguntas. Por
que  mais fcil estar na platia? Por que
permitimos que o medo nos encarcere, as
idias negativas nos aprisionem e as
emoes tensas bloqueiem a nossa

                                          30
inteligncia?

      Por que lderes empresariais que
dirigem milhares de funcionrios so s
vezes frgeis lderes de si mesmos, a tal
ponto que uma frustrao gera neles uma
ansiedade explosiva? Por que alguns
intelectuais brilham quando tratam
assuntos lgicos, mas perdem a lucidez
quando contrariados?

      Por que educadores experientes no
conseguem educar a prpria emoo e
submet-la ao domnio da sua vontade?
Por que pais maduros s vezes falham
drasticamente, tm reaes impulsivas e
fere quem mais amam? Por que jovens que
batem no peito dizendo que so livres so
na realidade escravos das suas ansiedades
e conflitos?

      A partir de agora tentarei responder
a essas perguntas. Quero comear
afirmando que a maioria das pessoas que
no tem doenas psquicas clssicas, como
depresso e fobias, tambm no foram
treinadas para gerenciar os pensamentos,
administrar as emoes, virar a mesa em

                                        31
seu    inconsciente. Voc    fez   esse
treinamento? Uma das grandes causas da
falha da educao em realizar esse
treinamento  que a psicologia estudou
pouco como o prprio eu se forma, como
se constroem os pensamentos e quais os
papis da memria na formao da
personalidade. Convido-os, agora, a
penetrar no admirvel funcionamento da
mente!




                                     32
Compreendendo o Teatro da Mente
Humana:

O maior lder  aquele que reconhece sua
pequenez, extrai fora da sua humildade e
experincia da sua fragilidade...




      Inteligncia multifocal  a teoria que
desenvolvi durante mais de vinte anos
sobre o funcionamento da mente e que tem
sido estudada por vrios cientistas e usada
em vrios pases em teses acadmicas. Ela
traz luz a vrios pontos obscuros da nossa
inteligncia. Por exemplo: "a construo
de pensamentos  multifocal."

      Isso significa que, ao contrrio do
que a cincia pensou durante sculos, no
 apenas o "eu" que constri cadeias de
pensamentos. Vimos que pensar 
inevitvel, pois h trs outros fenmenos
inconscientes que lem  memria e
produzem milhares de pensamentos. So
eles: "o Gatilho da Memria, a Janela da
Memria e o Autofluxo".


                                          33
      A teoria da Inteligncia Multifocal
demonstra que somos mais complexos do
que a psicologia e a psiquiatria tm
pensado at hoje. Voc no acharia um
absurdo se visse um carro andando sem
um motorista, apenas com um passageiro
no banco de trs? Isso ocorre na mente
humana. Se o "eu", que representa nossa
capacidade consciente de decidir, no
dirigir o veculo da nossa mente, ele ser
dirigido pelos fenmenos inconscientes do
gatilho da memria, da janela da memria
e do autofluxo. Esses trs fenmenos so
trs atores coadjuvantes do teatro da
mente.     Eles    produzem     tanto     os
pensamentos       belssimos   quanto     os
perturbadores, tanto as alegrias quanto as
misrias afetivas. H pessoas que sofrem
muito com idias obsessivas. Tm mania
de limpeza, perfeccionismo, contar e
recontar coisas, repetio de hbitos, como
apertar a pasta de dente sempre do mesmo
modo. Algumas esto timas de sade,
mas pensam que esto com AIDS, que tm
um cncer ou que vo enfartar. So cultas,
mas escravas das suas idias fixas. Quem
produz os pensamentos que detestamos?
So os trs fenmenos inconscientes que

                                          34
citei. Eles comandam o palco. Observe!
Todos ns pensamos tolices, nos
atormentamos com idias absurdas,
sofremos por antecipao. "Voc governa
seus pensamentos ou eles o dominam?".

       H pessoas que tm todos os motivos
do mundo para serem alegres, mas so
tristes. So boas pessoas, tm famlia
maravilhosa, dinheiro, casa na praia,
prestgio social, mas choram como
crianas, sentem-se insatisfeitas, infelizes.
No tm psicose, nem traumas psquicos
importantes, mas os atores coadjuvantes
da sua mente controlam o palco. "O eu
tornou-se um mero espectador."

      Um grande industrial disse-me certa
vez que tinha inveja dos funcionrios do
cho de fbrica, pois cantavam durante o
trabalho, enquanto ele era um rico-
miservel, pois sentia-se aprisionado por
idias perturbadoras, vivia ansioso e sem
encanto pela vida. Por que temos trs
atores coadjuvantes no teatro da nossa
mente? No poderia existir apenas o ator
principal? Por que no temos pleno
domnio de ns mesmos? Tais perguntas

                                           35
expressam o corao da psicologia e da
filosofia. Vou dar aqui duas respostas.
Primeiro, sem os atores coadjuvantes, o
teatro seria um monlogo e somente o ator
principal atuaria: nossa espcie morreria
de tdio, angstia e rotina. Haveria
suicdio em massa. Por qu? Porque
grande parte dos sonhos, inspiraes,
criatividade e idias que nos distraem e
animam  produzida pela leitura
espontnea da memria feita por esses trs
atores, e no pelo eu. Segundo, so os
atores coadjuvantes que formam o ator
principal no teatro da mente. Quantos
pensamentos as crianas at os sete anos
de idade produzem por ano? Milhes e
milhes. Eles so constitudos de fantasias,
distraes, imagens mentais, afetividade.
Quem os produz? No  o "eu", pois a
criana ainda no tem um eu formado,
consciente, apto para criticar, decidir,
escolher. Quem os produz so os atores
coadjuvantes. Por que os produz? Para
satisfazer a emoo e alimentar a memria
com informaes e experincias e,
consequentemente, preparar um alicerce
para que o "eu" amadurea, tenha
conscincia e se torne pouco a pouco o ator

                                          36
principal.
      O grande problema  que, se no
houver treinamento e educao adequados
para formar esse alicerce, o "eu" poder ser
um pssimo ator principal. Quando os
atores coadjuvantes lerem  memria e
construrem pensamentos perturbadores
que geram ansiedade, humor depressivo e
pnico, o "eu" no conseguir entrar em
cena, confront-los e virar a mesa.

      H pessoas imaturas de vinte, trinta,
quarenta anos. So fortes quando as guas
da emoo esto tranqilas. Quando as
ondas das falhas e sofrimentos as atingem,
elas afundam como pedras.

      Um alerta! Pelo fato de esses atores
ou fenmenos psquicos serem to
importantes para gerar o prazer e formar o
"eu", eles nunca tero um papel pequeno
no teatro da mente. O que no podem 
controlar o palco. Quem deseja uma
liberdade sem limite perder a prpria
liberdade, ser aprisionado por esses
atores.

     Adquirimos diplomas para atuar no

                                          37
mundo de fora, mas somos frgeis para
liderar o mundo psquico. Temos
tendncia em ser gigantes no mundo
profissional, mas meninos no territrio das
emoes e dos pensamentos. Vamos
entender melhores esses fenmenos.




                                         38
Os Trs Atores Coadjuvantes do
Teatro da Mente:

Alguns viajaram pelo mundo todo, mas nunca
tiveram coragem ou habilidade para viajar para
dentro de si mesmo...




      Quais as funes dos trs fenmenos
ou atores coadjuvantes da nossa mente?
Farei uma sntese deles.




Gatilho da Memria:



       o fenmeno que faz com que cada
estmulo visual, sonoro ou psquico seja
interpretado imediatamente, em milsimos
de segundo. As imagens das flores,
pessoas, objetos so identificadas no pelo
"eu", mas pelo Gatilho da Memria. Temos
Milhes de imagens na memria, mas
quando vemos a imagem externa de uma
flor, por exemplo, o Gatilho  acionado,
acerta o alvo e identifica a imagem. Sem

                                            39
esse fenmeno, o "eu" ficaria confuso.

       Como o Gatilho da Memria pode
nos prejudicar? Por exemplo, quando
algum v uma pessoa que o feriu ou
rejeitou, o Gatilho  detonado em fraes
de segundos, abre os arquivos que contm
as aes dessa pessoa, gerando raiva e
ansiedade. Se o "eu" no retoma a
liderana, ele vai imediatamente para a
platia.

      No somos gigantes. Apesar de o
Gatilho     ajudar     muitssimo      nossa
inteligncia, diariamente ele nos envia
para a platia. Alguns jovens vo a cada
dez minutos para a platia: ningum pode
dizer-lhes "no" sem que se ofendam.
"Quem reclama, agride os outros e se
ofende com facilidade  frgil". Deve
retomar o palco. Helena era uma jovem
motivada e inteligente. Falava trs lnguas.
Discutia suas idias com os amigos de
maneira segura e livre. Mas tinha um
problema, no conseguia falar em pblico.
Quando estava diante de uma platia
exterior, o Gatilho era pressionado na sua
mente e abria um arquivo que continha o

                                          40
medo de falhar, de passar vexame. O
pblico levava Helena para a platia
interior. Ela ficava aprisionada. Teve de
exercitar-se para deixar de ser uma pobre
vtima do Gatilho. O resultado? Tornou-se
livre. No  possvel brilharmos nas
platias exteriores se somos tmidos
espectadores na platia da nossa mente.




Autofluxo:



      Ele produz a grande maioria dos
pensamentos no teatro da nossa mente.
Produz os pensamentos que nos distraem,
nos animam, fazem sonhar. Como o
Autofluxo faz isso? Atravs de milhares de
leituras espontneas da memria sem uma
direo lgica. Voc no fica intrigado com
certos     pensamentos      que     produz?
Pensamos em situaes bizarras, em
amigos da infncia, no tempo. Esse ator
coadjuvante nos faz viajar para o passado
e para o futuro. Alguns viajam tanto no
mundo das idias que vivem distrados,
no ouvem quase nada do que as pessoas

                                         41
lhes dizem.

      Como o fenmeno do Autofluxo, que
traz graa e alegria para a nossa vida, que
nos ajuda a vencer o tdio e a angstia
existencial, pode nos prejudicar? Ele nos
prejudica porque no produz somente
pensamentos e idias saudveis, mas
tambm pensamentos atormentadores e
estressantes.

      Quando o Autofluxo l reas
doentias da memria, produz emoes
ansiosas, tmidas, culposas, nos faz sofrer
por antecipao, resgata experincias
dolorosas. Diariamente o Autofluxo nos
anima e nos distrai, mas tambm nos envia
para a platia. Alguns so acorrentados
pelas idias negativas. Os pessimistas
vivem um teatro de terror. O bom humor 
um blsamo. Pensar  bom, mas pensar
demais  um problema. Se o Autofluxo 
superestimulado      pelo    excesso    de
atividades, informaes e preocupaes,
geram a sndrome do pensamento
acelerado (SPA). Quem tem SPA acorda
cansado, sofre pelo amanh, no se
concentra, tem esquecimento e sintomas

                                         42
fsicos. A SPA nos imobiliza na platia.
Milhes de pessoas a possuem. Sem o
fenmeno do Autofluxo, o "eu" no se
formaria. Sem ele, nossa espcie teria
depresso coletiva, morreria de tdio. Mas
ele no pode ser o ator principal, embora
teime em querer liderar nossa mente. "O
eu deve gerenciar o fluxo dos
pensamentos".

       Matheus era executivo de uma
grande empresa. Era lder, no pelo cargo
que ocupava, mas por sua qualidade como
pessoa. Era otimista, motivava as pessoas e
amava desafios. Criava oportunidades nas
dificuldades. Sua empresa superava as
crises   e    tinha   altos   ndices    de
lucratividade. Matheus, porm, era infeliz.

     Ele sabia investir milhes de dlares,
mas no em sua qualidade de vida.
Tornou-se uma mquina de trabalhar.
Tinha uma intensa SPA, vivia cansado,
ansioso, irritado, triste, sonolento e
esquecido. No era um lder interior. Para
no falir sua emoo teve de aprender a
administrar seus pensamentos. Como?


                                         43
      Compreendendo o funcionamento
da mente e usando as tcnicas do prximo
captulo. Quando entendemos o que  o
Gatilho da Memria e o fenmeno do
Autofluxo, creio que percebemos que
temos tendncia a ficar na platia da nossa
mente. Isso acontece com todos, inclusive
psiquiatras,    psiclogos,       cientistas,
executivos.

      A espcie humana, que  to
dominadora, foi em muitos momentos da
sua histria aprisionada no secreto do seu
ser. As guerras, doenas psquicas,
violaes dos direitos humanos, destruio
do meio ambiente revelam nossa falta de
autocontrole. Causamos desastres sociais e
ambientais.

      Comentarei agora o terceiro ator
coadjuvante para entendermos melhor
esse processo.




                                           44
Janela da Memria:



      Este  o terceiro fenmeno do teatro
da mente. A memria humana se abre por
janelas. Cada janela possui um grupo de
arquivos que contm milhares de
informaes agregadas. Temos milhes de
janelas no crtex cerebral. No acessamos
arquivos inteiros, como nos computadores,
mas as janelas. Algumas janelas so
belssimas, geram prazer, coragem,
respostas inteligentes. Outras so doentias,
geram ansiedade, dio, desmotivao.
Precisamos entender que os atores
coadjuvantes cooperam uns com os outros
na sade e na doena. Como? Deixe-me
contar uma histria.

      Havia um promotor de justia
inteligente. Alguns o temiam. Enquanto
atuava no frum, era o ator principal,
brilhava. Mas, de repente, pensava que
tinha     um     cncer    no    crebro.
Imediatamente o Gatilho era acionado e
abria a Janela da Memria que o fazia ter
medo de sofrer, morrer, nunca mais ver os
filhos.

                                          45
     Segundos depois,        o Autofluxo
comeava a ler todas as informaes dessa
Janela, fazendo da sua mente um teatro de
terror. Ele ia para o banheiro e chorava.
Sabia que essas idias eram falsas, mas,
por estar na platia, as vivia como reais.
Voc j sofreu por causa das suas idias?
Eu j sofri, mas as superei.

      s vezes brota em ns uma alegria
sem motivo ou uma tristeza sem causa.
Por qu? Porque durante o dia abrimos
vrias janelas da memria aleatrias. J
sentiu que parece que conhecemos um
ambiente que nunca vimos? Por qu?
Porque cruzamos a imagem presente com
os milhes de imagens da nossa infncia.

     Alguns tm tristeza ao entardecer ou
no domingo  tarde. Por qu? Porque
abrem sutilmente as janelas da solido e
produzem pensamentos tristes e angstias.

      H muitos tipos de janelas doentias:
fbicas (geram fobia social, claustrofobia,
etc.), obsessivas (geram idias fixas),
antecipatrias (preocupaes com o
futuro), da baixa auto-estima...

                                         46
Janela Killer:



       Algumas janelas geram uma emoo
com um volume de tenso intenso,
contendo, por exemplo, medo, raiva,
desespero, que so capazes de bloquear a
abertura das demais janelas da memria,
travando o raciocnio. So as janelas
"killer", que nos fazem reagir por instinto,
como animais.

      Todos temos janelas "killer" que nos
fazem reagir sem pensar, ser impulsivos,
ferir quem amamos. Alguns maridos
dizem certas palavras que agridem suas
esposas e vice-versa. Brigam por pequenas
coisas. Onde brigam: no palco ou na
platia? Quem perde o controle  vtima
das janelas "killer".

       Marcos tirava as melhores notas da
sua universidade. Os alunos e professores
o admiravam. Pensavam que seria um
grande homem. Ningum percebia, mas
ele vivia na platia. Era vtima das janelas
"killer", que geravam nele timidez,
insegurana, medo da crtica. Aps a

                                          47
faculdade, fracassou. Tinha muitos
conhecimentos, mas no sabia trabalhar
em equipe, enfrentar desafios, liderar
pessoas. Muitos excelentes alunos no tm
grande sucesso.  necessrio mais do que
conhecimento objetivo para nos tirar da
platia e nos fazer ser livres e lderes.
Espero que este livro ajudem muitos a
sarem da platia e brilhar no palco.
Muitos pais e filhos ferem uns aos outros.
Por qu? Porque so vtimas dessas janelas
mortferas. As janelas "killer" contm os
arquivos dos nossos maiores traumas,
perdas, frustraes. Elas so responsveis
pela maioria dos suicdios, homicdios,
divrcios, fobias, depresso.

       Uma recomendao. "No corrija ou
provoque as pessoas que estiverem
tensas". Espere a temperatura da emoo
delas baixar. Assim, sairo das janelas
"killer", abriro sua memria e tero
respostas inteligentes. Tambm "respeite
seus prprios limites". Quando estiver
irritado e ansioso, ame o silncio. No
primeiro minuto de tenso produzimos
nossos maiores erros.


                                        48
Os bastidores da mente:



       o inconsciente. No apenas
sofremos quando estamos na platia
assistindo    passivamente    s  nossas
experincias    doentias,   como    aps
deixarem o palco elas vo para os
bastidores    do     teatro  da   mente,
acumulando lixo no inconsciente. Deixe-
me explicar. Existe um fenmeno chamado
RAM: registro automtico na memria.
Tudo que pensamos e sentimos 
registrado automaticamente na memria
pelo RAM, quer o desejemos ou no.
Cuidado! Lembre-se do que um ator nos
alertou: "sua emoo tornou-se uma lata
de lixo."

      Veja se voc tem as reaes de quem
est    na     platia:   1    -   Reclamar
frequentemente; 2 - Reagir sem pensar; 3 -
Ansiedade; 4 - Baixa auto-estima; 5 -
Intolerncia; 6 - Dificuldade; 7 -
Pensamento acelerado e controlador; 8 -
Emoo hipersensvel e sem proteo; 9 -
Dificuldade de reconhecer erros e corrigir
rotas; 10 - Falta de autocontrole.

                                         49
     Se voc tem de uma a duas atitudes,
fica pouco tempo na platia; de trs a cinco
atitudes, fica muito tempo na platia; cinco
ou mais atitudes, fica plantado na platia.
H pessoas que optam por serem
agressivas e maquinarem o mal. Mas a
grande maioria deseja ser tranqila, feliz,
livre, lder. Vejamos agora as tcnicas para
sermos lderes em nossa mente.




                                          50
     Tcnicas Psicolgicas para Ser
Lder de Si Mesmo:

      Um ser humano rico procura ouro na
sociedade, um ser humano sbio garimpa ouro
nos solos do seu ser.




      Neste       captulo    estudaremos
ferramentas para resgatarmos a liderana
do "eu". Quem deseja tornar-se um ator
principal da sua mente, desenvolver sua
inteligncia e conquistar sade emocional
e intectual precisa prestar muita ateno e
praticar as tcnicas que comentarei. Elas
deveriam ser ensinadas em todos os nveis
escolares.

      H duas metas e duas tcnicas que
aliceram nossa capacidade de gerenciar
os pensamentos e emoes para sermos
lderes no palco da mente. Metas: Reeditar
a memria; Produzir janelas paralelas da
memria.

     Tcnicas: DCD (duvidar, criticar,
determinar); Mesa-redonda do "eu".

                                         51
Reeditar a Memria:



      Reeditar a memria  um dos
processos     de     transformao     da
personalidade estudados pela teoria da
Inteligncia Multifocal. No podemos
deletar a memria, s reedit-la ou
reescrev-la. No temos ferramentas para
apagar o passado registrado pelo
fenmeno RAM, seja bom ou ruim. S
podemos reedit-lo. O que  reeditar ou
reescrever a memria? No  apagar os
arquivos doentes, mas inserir novas
experincias nas janelas da memria. 
entrar no palco da mente e construir
segurana onde existe o medo, lucidez
onde existe estupidez, tranqilidade onde
existe ansiedade.

      Pedro era um mdico prestativo e
hbil. Tratava de pacientes com maestria e
segurana. Um dia teve um ataque de
pnico. O Gatilho da Memria detonou e
gerou uma janela "killer". Pedro comeou a
ter medo de enfartar. O fenmeno do
autofluxo alimentou-se dessa janela e
produziu inmeras idias negativas. O

                                        52
fenmeno RAM registrou-as e expandiu
seu medo inicial.

       Sua sade estava tima, mas a janela
"killer" bloqueou seu raciocnio. Os
ataques se repetiram. Viveu o crcere do
medo. Parou de trabalhar e ficou
deprimido durante muitos anos. Mas saiu
do caos. Libertou-se depois que usou a
tcnicas do DCD para reeditar a memria.
Muitas pessoas calmas e seguras se tornam
ansiosas e inseguras ao longo dos anos,
pois vo acumulando nos bastidores da
mente as suas frustraes, perdas e
problemas psquicos e sociais. Sem
perceber, vo transformando as janelas
saudveis em doentias, e perdendo o
sorriso. Seu prazer de viver vai sendo
destrudo.

     Reeditar o filme do inconsciente
(memria)  a primeira meta para quem
quer deixar de ser algemado pelos atores
coadjuvantes do teatro da mente e pelos
traumas, conflitos, angstia, estresse.
Alguns perpetuam terapias por anos
porque no aprenderam a reeditar a
memria. Como reedit-la?

                                         53
Tcnica do DCD:



      A primeira tcnica excelente que
tenho usado para estimular o "eu" a sair da
platia, entrar no palco, gerenciar os
pensamentos e reeditar a memria  a
DCD (duvidar, criticar, determinar).

      Essa tcnica envolve as trs
principais     perolas   da     Inteligncia
Multifocal: a "arte da dvida" (perola da
filosofia), a "arte da crtica" (perola da
psicologia) e a "arte da determinao"
(perola da rea de recursos humanos).
Voc no imagina a fora que temos que
fazer para sair da platia quando usamos
essas trs artes. Deixamos de serem
passivos, conformados e vtimas. Duvide,
critique e determine!

      Marcos era presidente de uma
empresa, mas no presidia sua mente.
Reagia como se todas as mulheres o
trassem. Casou-se e fez da sua relao um
inferno. Criava idias de que sua esposa o
estava traindo. Torturava-a. Quando ele
ameaou      separar-se,   ele    procurou

                                          54
tratamento. Na terapia, comeou a
entender que era vtima do passado. Sua
me havia trado seu pai. Aprendeu a sair
da platia, aplicou o DCD. Duvidou das
suas idias dramticas e as criticou
diariamente. Cada vez que uma idia
dessas surgia, dizia para si: "Essa idia no
tem fundamento"! No serei mais
algemado por ela. Determino ser livre e
reconstruir minha histria. Conseguiu
resgatar a liderana do "eu".

       No seja aprisionado pelos atores
coadjuvantes. Duvide de tudo que eles
produzem e que faz voc ficar deprimido,
ansioso,    sem     auto-estima.   Critique
seriamente cada pensamento negativo,
cada idia tola que o perturba, cada
angstia, humor triste, medo, insegurana.
E, por fim, no pea compaixo para os
atores coadjuvantes. "Entre no palco" e
determine ser alegre, tranqilo, conquistar
o que mais ama, ser lder de si mesmo. As
palestras de auto-ajuda pouco ajudam
quando as pessoas no compreendem o
funcionamento da mente. No basta s
determinar,  preciso antes duvidar e
criticar para reeditar a memria. Quando,

                                           55
no silncio da nossa mente, "duvidamos,
criticamos e determinamos" diversas vezes
por dia ao longo de meses, construmos
uma nova histria. Produzimos prazeres,
coragem, reflexes que so arquivados
pelo fenmeno RAM nos bastidores da
mente.

      A tcnica do DCD no apaga a
memria, mas reedita e reescreve o
inconsciente. Assim nos tornamos autores
da nossa histria. Aps seis meses de
prtica dessa tcnica, a qualidade de vida
d um salto, e nos tornamos mais alegres,
simples,         tranqilos,      seguros,
autoconfiantes. Mas  possvel reeditar
todas as janelas da memria?

      No! Sempre ficam algumas janelas
doentias na periferia do inconsciente,
difceis de serem reeditadas. Alm disso,
ms aps ms produzimos novas janelas
doentias, geradas pelas decepes, perdas,
conflitos sociais. No h gigantes. Sempre
recamos e voltamos para a platia. Mas
qual  a grande diferena de quem atua
como ator principal e faz a tcnica do
DCD? Essa pessoa se torna mais estvel e

                                        56
madura: as dores lapidam a sabedoria, as
falhas constroem a tolerncia, as perdas
geram novas conquistas, os fracassos nos
tornam mais fortes. Os grandes lderes da
histria praticaram o DCD intuitivamente.
Tenho estudado a mente de grandes
lderes da histria, como Moiss, Maom,
Confcio, Buda. Gostaria de destacar
algum que teve plena conscincia de que
deveramos deixar de ser espectadores,
que       treinou       seus      discpulos
constantemente para sarem da platia e
serem lderes. Seu nome  Jesus Cristo.
Escrevi sobre ele uma coleo que analisa
sua inteligncia. Entenda que no estou
falando de religio, mas de uma pessoa
fascinante, famosssima, e to pouco
conhecida no teatro da sua mente. Jesus
Cristo nunca deixou o palco, extraiu fora
da fragilidade, alegria da dor, sabedoria
das calnias. Foi feliz na terra de infelizes.
Fomos treinados desde a infncia a sermos
tmidos, frgeis, inseguros, diante das
nossas misrias psquicas. J notou que
quando algum tipo de medo nos abate, em
vez de duvidarmos dele, ns o aceitamos
passivamente? J percebeu que agredimos
os outros quando estamos estressados e

                                            57
ansiosos, em vez de criticar o estresse e
ansiedade?

      Quando se abre uma janela da
memria doentia e produz emoo com
alto volume de tenso, bloqueamos a
leitura das janelas saudveis, travamos a
inteligncia. Nos focos de tenso ferimos
as pessoas e nos punimos.  justamente
nos focos de tenso que precisamos fazer o
DCD. Se voc deseja ser apaixonado pela
sua vida, faa-lhe um grande favor: no
seja mais tmido e passivo diante dos seus
prprios ataques de raiva, irritabilidade,
de seus pensamentos negativos. Pea
desculpa se errou. No brigue com os
outros, no os culpe, no discuta. Nossa
luta real  interior e silenciosa: no
anfiteatro da nossa mente. Os monstros
que os atores coadjuvantes encenam no
palco - seja o medo, a impacincia, a
intolerncia, as preocupaes - so
menores do que voc imagina. Mas, se no
atuarmos, eles se acumularo no
inconsciente e podero destruir nossos
sonhos, nossa paz, o prazer e o amor pela
vida.


                                        58
Janelas Paralelas da Memria:



       a segunda meta que devemos ter
para sermos atores principais. Construir
janelas paralelas  criar na memria janelas
saudveis que tm interconexo com as
janelas doentias do inconsciente. As
janelas paralelas abrem-se imediatamente
quando as janelas doentias so abertas,
fortalecendo a liderana do "eu". Imagine
uma pessoa que tem claustrofobia. No
momento em que entra num elevador,
abre-se uma janela "killer" que gera um
medo dramtico de que ele v parar e o ar
v faltar. Mas se o paciente construiu
janelas paralelas, elas se abriro, criando
condies para que ele tenha autocontrole.

      Um dos maiores segredos para um
ser humano deixar de ser vtima dos seus
conflitos e se tornar livre para decidir seus
prprios caminhos  criar janelas paralelas
inteligentes. Algumas pessoas so quase
imutveis. Elas perpetuam por dcadas
sua teimosia, sua rigidez, sua ansiedade.
Por qu?


                                           59
       Porque      no    reeditam      seu
inconsciente, nem constroem janelas
paralelas. Esto algemadas na platia.
Voc construiu vrias janelas paralelas
intuitivamente ao longo de sua vida,
provavelmente sem perceber e sem saber
como o fez. Por isso, superou certos
fracassos, mgoas, rejeies, crises. Como
criar janelas paralelas?




Mesa-Redonda do "Eu":



      Essa tcnica  excelente para criar
janelas paralelas em pacientes que desejam
superar transtornos psquicos ou em
pessoas que querem desenvolver seu
potencial intelectual e expandir sua
qualidade de vida.

     Ela consiste numa reunio ntima
conosco mesmos pelo menos duas vezes
por semana durante quinze minutos, ou
alguns minutos por dia, por exemplo,
durante o banho. Paramos por alguns
momentos com tudo, entramos dentro de

                                         60
ns mesmos e debatemos nossos
problemas, dificuldades, crises, perdas.
Discutimos e traamos caminhos numa
mesa-redonda silenciosa situada no palco
da mente.

      Brbara era uma boa pessoa, mas
sofria muito. Tinha muitas janelas
doentias. Era hipersensvel: pequenos
problemas causavam-lhe grande impacto.
Vivia a dor dos outros. Esperava muito
deles e frustrava-se facilmente. Uma crtica
estragava-lhe a semana. No se protegia.
Fez terapias por mais de dez anos, mas
tinha freqentes crises depressivas. Em seu
ltimo tratamento, aprendeu a tcnica da
mesa-redonda do "eu". Isolando-se
durante cerca de quinze minutos, fez
debates, questionamentos e crticas dirias
contra suas caractersticas doentias. Em
dois meses criou janelas paralelas. Plantou
um jardim em sua memria. Deixou de ser
vtima e tornou-se autora da sua histria.

      As psicoterapias analticas objetivam
o autoconhecimento com o fim de reeditar
o inconsciente. As psicoterapias cognitivas
atuam nos sintomas com o objetivo de

                                          61
criar janelas paralelas. Elas almejam tirar
os pacientes da platia e lev-los para o
palco. Se os estimularmos a fazer a tcnica
DCD nos focos de tenso, e a mesa-
redonda do "eu" fora dos focos de tenso,
elas dariam um grande salto. Todas as
doenas psquicas podem ser superadas.
Se     necessrio,   deve-se    usar    um
antidepressivo ou tranqilizante, com
prescrio mdica. Mas no devemos
esquecer que o "eu" deve ser sempre o ator
principal, e os medicamentos, o ator
coadjuvante.

      Muitos passam anos sem conversar
consigo mesmo. Auto-isolam-se, se auto-
abandonam. Conversam com o mundo,
mas emudecem diante de si. Nossa espcie
 contraditria. Ela  belssima e
complicadssima.        Desenvolvemos
tecnologia para falar com o mundo
externo, mas no sabemos dialogar com
nosso mundo interior.

     A maioria das pessoas passa dcadas
sem falar profundamente consigo mesma.
Os jovens sabem operar complexos
computadores, mas no sabem criticar

                                         62
suas idias, repensar sua histria e discutir
seus problemas. Que sociedade  essa que
tem destrudo a capacidade do ser
humano se interiorizar?

       Parece loucura conversar sozinho,
mas loucura mesmo  a ausncia de
autodilogo. No livro "Dez leis para ser
feliz" eu digo: "Se o mundo nos abandona,
a solido  suportvel; se ns mesmos nos
abandonamos,  insuportvel." Como
sermos autores da nossa histria se no
entramos no palco, escrevemos nossos
textos e dirigimos a pea teatral da vida?

      Milhes de jovens e adultos levaro
suas misrias emocionais para o tmulo,
sem saber que poderiam t-las superado.
Nunca entenderam que a mente  como
um complexo teatro, que deveriam ter
feito uma mesa-redonda em seu interior e
deixar de ser vtimas do terrorismo dos
pensamentos!

     Recebi recentemente um e-mail de
uma jovem. Disse-me que era ansiosa,
depressiva,  comia     compulsivamente.
Engordou quinze quilos em poucos meses.

                                           63
Sentia medo, nojo, raiva e vergonha de si
mesma. Chorava muito. Tentou vrias
vezes o suicdio. Mas, ao ler meus livros,
disse que se levantou e deixou de ser
vtima dos seus conflitos.

      Comeou a treinar ser lder de si
mesma. Emagreceu, voltou a estudar,
sorrir, ser apaixonada pela vida.
Agradeceu-me e disse com convico:
"Descobri, com a leitura dos seus livros,
que todos temos problemas, uns mais,
outros menos, mas s no muda sua
histria quem est morto..." Ela saiu da
platia e subiu para o palco.

      Gostaria de enfatizar que os
fenmenos ligados ao funcionamento da
mente descritos neste livro representam
temas novos e fundamentais na psiquiatria
e psicologia.  uma grande luz no caos das
sociedades modernas que se tornaram
fbricas de pessoas ansiosas, estressadas e
sem identidade.

     No h milagres para reeditar a
memria e criar janelas paralelas. O
processo no  mgico. Mas no desanime

                                         64
quando recair. Insista, eduque sua emoo,
treine. Persevere, mesmo quando achar
que no tem mais fora. Se precisar chorar,
chore, mas no desista quando tropear.
Aos poucos voc vai se surpreender.




                                         65
Consideraes Finais:

Quem tem luz exterior caminha sem tropear,
quem tem luz interior caminha sem medo de
viver...




     A lista de pessoas encantadoras que
foram algemadas na platia  enorme. Elas
poderiam ter mudado suas histrias se
conhecessem as tcnicas que estudamos.

      Crianas extrovertidas perderam
para sempre sua seguranas depois que
sofreram traumas e perdas. Garotas
brilhantes tiveram sua auto-estima
dilacerada por no terem um corpo de
acordo com o padro doentio da mdia.
So belas, mas no reconhecem isso.
Estudantes inteligentes no conseguiram
ter sucesso, porque falharam nas provas.
Jovens sensveis perderam o romantismo
da vida depois de fracassarem em seus
relacionamentos afetivos.

    Adultos lcidos e amveis foram
amordaados pela timidez, sentiram-se

                                         66
diminudos sem saber que nunca foram
inferiores aos outros. Trabalhadores
competentes foram bloqueados pelo medo
de serem reprovados pelos colegas, no
exteriorizaram seus pensamentos, no
conseguiram debater suas idias, nem
trazer solues.

      Empresrios admirveis nunca mais
se levantaram depois de atravessarem uma
crise financeira. Sentiram vergonha e
medo social. Executivos fascinantes
deixaram de ser empreendedores depois
que atravessaram o vale das derrotas. No
souberam construir fora na fragilidade e
oportunidade nos desafios.

      Pais maravilhosos, por no saberem
falar a linguagem da emoo, nunca
disseram aos filhos as palavras mgicas:
"eu te amo", "me perdoem", "deixem-me
conhec-los". Filhos magnficos, ao se
sentirem feridos pelos pais, nunca mais
dialogaram com eles, no descobriram
seus sonhos, suas dores. S os valorizaram
depois que eles fecharam os olhos...

     Professores   fantsticos,   por   no

                                         67
compreenderem         a    construo    da
inteligncia, fizeram da memria dos
alunos um depsito de informaes,
deixaram de ser mestres da vida, no os
ensinaram a ser lderes dos pensamentos, a
educar sua emoo e a desenvolver a arte
de pensar. Pessoas maravilhosas foram e
tm sido acorrentadas pelas suas
angstias,     aprisionadas    pelas   suas
preocupaes, controladas pela sua
ansiedade, sufocadas pelo seu estresse,
paralisadas por seus medos. No
aprenderam a resgatar a liderana do "eu"
e a ser livres. Permita-me enfatizar que a
educao mundial est errada. Ela no nos
prepara para atuarmos no territrio da
psique. Apenas nos d conselhos pouco
eficientes. A falta de conhecimento sobre o
teatro da mente humana  gritante. Por
isso, apesar de vivermos em sociedades
livres, h mais escravos hoje do que no
passado. S que o crcere  interior. O
estado normal do ser humano tem sido
estressado e ansioso, e o anormal, relaxado
e tranqilo. A educao e a psicologia
preventivas precisam passar por uma
revoluo. Este livro vem ao encontro
dessa urgente necessidade. Se os pais e

                                         68
professores ensinarem os princpios deste
livro s crianas e aos jovens, poderemos
prevenir depresses, suicdios, estresse,
ansiedade, fobias, timidez, dependncia,
crises nas relaes sociais. J pensou se
jovens e adultos aprendessem a controlar o
palco da sua mente?

       Precisaramos menos de psiquiatras
e psiclogos clnicos. Teramos mais poetas
e menos doentes. Seramos uma espcie
feliz. Mas saiba que ser saudvel no 
estar sempre alegre e bem-humorado. Ser
saudvel  aprender a ter encanto pela
vida, mesmo depois dos golpes e tristezas.
Ser sbio no  deixar de falhar, nem de ter
atitudes tolas. Ser sbio  reconhecer essas
atitudes, utiliz-las, e deixar de ser
submisso s misrias psquicas.

      Os mais fortes tambm tm seus
momentos de fragilidade. As pessoas mais
cultas passam por momentos de
incoerncia. O ser humano mais gentil
tambm perde a pacincia. A pessoa mais
rgida e auto-suficiente derrama suas
lgrimas, ainda que escondidas. Em alguns
momentos voc ir ficar decepcionado

                                          69
consigo mesmo e com as pessoas que ama.
Mas no reclame, pois no h pessoas
perfeitas. No s de sucessos vive o ser
humano, mas da convico de que "nas
dificuldades     podemos     escrever   os
melhores textos das nossas vidas".
Dialogue com as pessoas ao seu redor,
surpreenda-as,       descubra-as.     Faa
agradveis      mesas-redondas     consigo
mesmo. Revise suas rotas, refaa seus
caminhos, gerencie seus pensamentos,
administre sua emoo. Seja um amigo da
arte da dvida e um amante da arte da
crtica. A vida  a obra-prima do autor da
existncia. Trate-a como seu maior
tesouro.

      No espere enfartar para cuidar da
sua qualidade de vida e nem perde o que
mais ama para tomar decises. Decida,
faa escolhas, planeje sua vida. Os tesouros
do corao so conquistados, no nos
chegam atravs dos genes.

     Na histria de qualquer ser humano,
h aplausos e vaias, pensamentos serenos
e idias perturbadoras, doces emoes e
amargas experincias, jbilos e lgrimas.

                                          70
    Desejo que em cada um desses
momentos voc descubra que seu maior
desafio no de conquistar o mundo
exterior, mas sair da platia, entrar no
palco e aprender a ser...




    O Ator principal do teatro da sua
mente.

     O Autor da sua histria.

     O Grande lder de si mesmo.




                                      71
